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03/02/2007

Na cela da solidão
Entre as paredes da vida, por malfadada paixão, deixaste a alma detidana cela da solidão. Deste-te à noite e ao vento, à estrada, ao frio e à chuva, bateste no desalento ao fazer perigosa curva. Andaste a pão e laranjas, pisaste poças de lama, não tens madeixas nem franjas, nem mantas na tua cama Caiu-te o viço e a graçasem que gritasses vitória, beijaste a boca à desgraça entre um bagaço e chicória. Deixaste a dor penetrar, calaste o grito no peito, deixaste o amor sufocar entre o soalho e o leito. Deitaste a fé para o lixo, jogaste fora a esperança, bebeste desconfiança, cuspiste no crucifixo. Perdeste a honra num jogo, jogado à toa, às escuras, queimaste as mãos nesse fogo onde se acendem loucuras. Agora choras, sozinha, carpindo a raiva, sem tino, quem foi a fada madrinha que te traçou o destino? Quem pela mão te levou, quem por prazer te iludiu, quem a ambição almejou e o perigo tão mal mediu? Entre as paredes da vida, pergunta ao teu coração, porque te encontras perdida nessa longa escuridão. Terás, de certo, a resposta que sempre evitaste ouvir, lê, com minúcia, a proposta na carta que tens por abrir.

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