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01/02/2007

Acordas pela noite.
Acordas pela noite, estás só.Gravas na solidão dos quartos uma estrela de lume,reflectes sobre a mesa os objectos frios desgovernas.Algures,nos becos da infância, celebra-se a primeira fábula.Já as tuas unhas percorreram os espelhos do ar,já choraste junto aos embraias.Enumera as tábuas onde um destino se inscreve, deslumbra raiz da pedra, secretamente.Não há concelebras para o pranto nos desvios da capela.Iluminas como numa tela de excessivo sol os vitrais ao fundo,e depois as naves.Será o mar?Confessa que dói uma enseada assim. Deserta de mastros,além,onde és um peixe, cintilante e cego.Azul porque é a cor dos teus pincéis.Veloz como sobre a lua alta correm as nuvens para a tempestade.Que procuras aí, que esboço de uma vida que a aguarela não redime?Uma flor de água ergue-se à tua volta, ama-te tão fervorosa mente.Algures se desata o deserto em oásis que enlouquecem a tua fronte nómada e quando abres os diques o coração grita.Adensam-se as grades, há uma campânula de corolas líquidas, quentes, um véu que aperta. Derrama-te, parte. Antes que a garganta ameace o silêncio, antes que o silêncio esmague as cordas para que não cantes.Não, não voltarás a cantar na idade dos líricos.Lírico partiste,e as pétalas arderam dinamicamente, ardeu o gladíolo,ardeu a rosa,as odiosas plantas do exílio.Pensa nessa fulgurante desolação à deriva pelos meses,pelas terras que devastaram uma cabeça arredia.Negaste a luz e o amor.Edificaste um lugar de lanças, mansardas que dão para traseiras de tudo.Dos jardins outrora belos nada dirás, do que abandonas nada esperes, ó sonhador.Derrotado,a teus pés jaz um povo.Terá sido a desdita, o fado negro?Deus mal levanta o seu chicote de fogo e eles tombam à vista das cidades, velozes ao entardecer.


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